Chuva
Um dia chovia muito, e eu, preso em casa reclamava
Não podia fazer nada, aquela chuva não me deixava
Triste, olhava os pingos que na janela se chocavam
E passei a ver na vidraça os desenhos que geravam
Com a imaginação solta, vi animais e brinquedos, vivos
Vi paisagens sonhadas do paraíso imaginário, vivas
Com odesejo solto, vi sonhos reais tão próximos, vivos
Vi fadas, silhuetas, sereias e mulheres lindas, vivas
A chuva, ainda forte, já não era tão ruim afinal
Por causa dela vi e vivi coisas e momentos almejados
Todos no meu pensamento, que se tornara jovial
O dia se fez noite, que virou manhã, os campos alagados
A chuva batia na janela, e eu ainda sentado atrás dela
Enfim a chuva parou, e eu saí correndo procurando por ela
Lá fora pude ver o que, com sua força, proporcionava
O ar fresco era vida, e, liberto das nuvens o sol brilhava
O mundo renascia, mais belo, forte e vibrante
Eu também renasci e muito aprendi com a chuvarada
Em cada acontecimento, cada emoção, cada sentimento
Temos um mundo novo a descobrir, sabemos quase nada
Atrás da chuva despedida, renasce a nova vida concebida
Mais rica e mais forte, para ser intensamente vivida
Vejo no seu rosto algumas lágrimas, como na vidraça
Carregam sentimentos puros e desejos cheios de graça
© 1993 – Miraggio – Todos os direitos reservados
Share this content:
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.